Professores não sabem como o aluno aprende, diz Iván Izquierdo

Iván Antônio Izquierdo é médico e neurocientista, especialista nos mecanismos da memória e reconhecido internacionalmente. Naturalizou-se brasileiro em 1981, pois nasceu em Buenos Aires, fez sua graduação e doutorado pela Universidade de Buenos Aires e pós-doutorado na Universidade da California em Los Angeles (UCLA). Foi professor da Universidade de Córdoba, na Argentina, e mudou-se para o Brasil em 1973, incorporando-se posteriormente à Escola Paulista de Medicina (hoje Unifesp) onde fundou um grupo de pesquisas em neurociência.
Durante mais de 20 anos, Izquierdo integrou o Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O médico, pós-doutor pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, é um dos pesquisadores brasileiros mais reconhecidos e premiados em todo o mundo e uma autoridade quando o assunto é biologia cerebral, principalmente nos estudos da memória e do aprendizado, temas com o qual trabalha desde os 19 anos. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o coordenador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) fala, entre outras coisas, sobre a importância dos conhecimentos de neurociência no ensino, a necessidade de o professor saber como o aluno aprende e o papel das emoções no aprendizado.
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Jornal do Comércio – O que se sabe hoje a respeito de como o cérebro aprende?

Ivan Izquierdo – Sabe-se muita coisa. Temos avançado bastante no conhecimento sobre como aprender, como formar memória e evocar memória. Essas são três coisas que hoje conhecemos bem. Conhecemos os mecanismos, tanto em termos de quais lugares do cérebro participam, quanto de quais processos bioquímicos intervêm em cada um desses lugares.

JC – O ensino nas escolas brasileiras é muito calcado no uso da memória. Essa é a melhor forma de fazer com que alguém realmente aprenda algo?

Izquierdo – Já não é tanto assim. Os construtivistas acabaram com isso. O que é muito ruim, porque era útil. Há algumas coisas que só podem ser adquiridas decorando-as. Tudo o que aprendemos é por meio da memória, mas há formas e formas. As tabuadas de multiplicação, por exemplo. Não há forma alguma de aprender isso por meio de raciocínio. Tem de ler e repetir até que se guarde. O mesmo vale para poesias e letras de música. Para essas coisas, é necessário decorar. Não há outra forma. Então, não é ruim decorar. Para muitas coisas serve e é imprescindível, já para outras, não é tão prático ou útil.

JC – Como a neurociência pode ser usada por educadores para aprimorar o aprendizado dos alunos?

Izquierdo – Já ajudou e ajuda. Os brasileiros estão começando a se dar conta de que isso é importante. Os educadores estão começando a aprender um pouco de neurociência. Estão se dando conta de que há horas e idades em que o cérebro pode aprender e outras em que não pode, pois não amadureceu o suficiente. É uma questão de ensinar para cada um o que corresponde com a sua idade e com o seu conhecimento prévio.

JC – Os professores ensinam sem saber como o aluno aprende?

Izquierdo – Sem saber absolutamente nada de como o aluno aprende. Creio que seja um dos últimos países do mundo onde acontece isso. Se não entendermos como alguém aprende, não vamos poder ensinar. Isso é simples. Por isso que o ensino anda tão mal no Brasil. Porque se ensinam coisas para alunos que não conseguem aprender. Porque, ou se ensina no momento errado da vida dele ou no momento errado da escolaridade. O aprendizado é vagaroso, leva anos. Todas as coisas têm seu tempo e seu momento. E isso depende do aprendizado prévio e da idade da pessoa. Do grau de maturação, que não é influído só pela idade, mas também pelo meio.

JC – O que o professor deveria saber sobre neurociência para poder ensinar melhor?

Izquierdo – Por exemplo, saber que existe um cérebro, como ele funciona basicamente, coisa que a maioria dos professores não sabe. É o cérebro dos alunos que vai aprender, e isso os professores nem pensam, porque não acham que seja assim. Acham que se aprende com ele falando e o outro ouvindo. Quem aprende é o cérebro e o faz de muitas maneiras ao mesmo tempo, e isso o professor tem de saber. Saber o que é aprendizado, o que é memória, onde ela se faz, como se faz. Uma vez que aprenda isso, terá muito mais facilidade em ensinar.

JC – Não usar isso é um atraso?

Izquierdo – É um atraso horripilante. Somos o 88º país no ranking mundial de educação e o 7º no ranking da economia. Sem dúvida que muito passa por isso.

JC – As crianças e os jovens fazem muito uso de ferramentas advindas das novas tecnologias da comunicação e da informação, como a internet. Isso pode alterar o processo de cognição?

Izquierdo – As novas tecnologias alteram muito o processo de cognição. Facilitam enormemente, porque poupam trabalho ao cérebro. O cérebro não tem de aprender e memorizar uma série de coisas, porque isso está no Google, ou em um programa, ou se obtém da internet de alguma maneira.

JC – O que leva uma pessoa a esquecer de algo que aprendeu em determinado momento da vida? É o desuso ou é a forma como aprendeu?

Izquierdo – O desuso pode levar a atrofia dos neurônios que fizeram aquela memória. Ele faz com que as sinapses desapareçam. O uso, por sua vez, estimula as sinapses. A forma como aprendeu também (pode afetar). Temos de pensar que perdemos a maioria das coisas que aprendemos. A terceira palavra de minha frase anterior, por exemplo. Eu não lembro mais, você não lembra mais. Ambos usamos esta palavra, você para entender o que eu estava dizendo e eu para dizer o que queria. Muitos pedaços de informação se perdem. Duram só alguns segundos, ou milissegundos. Isso se chama memória de trabalho e tem essa sina de morrer logo depois que nasce. E graças a Deus que é assim. Imagina se lembrássemos daquela terceira palavra, estaríamos continuamente repetindo-a, e ela nos prejudicaria a entender o resto.

JC – O que influencia para que essas partes fiquem na memória?

Izquierdo – São aquelas que nosso cérebro acha, com base nas suas experiências, que são importantes. A nossa vontade pouco tem a ver. O cérebro faz isso automaticamente. O mais importante para o cérebro é a sobrevivência e, para isso, a coisa que ele mais lembra são as memórias ruins. Memórias de coisas boas são bonitas. Mas, se esquecermos de olhar para a esquerda quando atravessamos uma rua, seremos atropelados. Essas coisas aprendemos desde cedo e são as mais importantes.

JC – O ensino em sala de aula tende a ser promovido de uma forma racional, com as emoções sendo deixadas de lado. Qual a importância das emoções no processo de aprendizado?

Izquierdo – As emoções se incorporam à memória e ajudam a memória. As memórias que melhor lembramos são as mais emocionantes. São aquelas acompanhadas do que se convencionou chamar de alerta emocional. Por exemplo: com quem a pessoa estava no momento que ficou sabendo que um ente querido morreu. Isso você não esquece nunca. Do dia anterior a isso ou da semana posterior, todo mundo esquece.

JC – Os últimos estudos na área da neurociência, de aprendizado e cognição, têm avançado em qual direção?

Izquierdo – Em todas. A participação das emoções, que substâncias regulam isso, quais os lugares do cérebro regulam isso. Em todas as direções ao mesmo tempo. Lamentavelmente, não temos avançado muito no tratamento de doenças da memória. Por exemplo, a terrível doença de Alzheimer. Estamos sabendo mais coisas sobre como se produz, a que se deve, e, com isso, aprendendo como tratá-la melhor, mas ainda é uma doença que faz estragos.

JC – O cérebro ainda apresenta muitos mistérios a serem desvendados?

Izquierdo – Muitíssimos. Às vezes, me dá a impressão de que cada dia apresenta mais. Trabalha-se e trabalha-se e parece que se está caminhando no mesmo lugar. Aparecem coisas novas. Na medida em que se vão descobrindo novidades, essas descobertas trazem coisas novas, realidades novas.

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Por: Juliano Tatsch
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/

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Cursos e oficinas para profissionais da área da Educação – Taise Agostini em Santa Cruz do Sul

Cursos e oficinas para profissionais da área da Educação – Taise Agostini em Santa Cruz do Sul

Jogos, brincadeiras e recursos lúdicos que estimulam a aprendizagem.
CARGA HORÁRIA: 8 horas
DATA:27/08/2016
LOCAL: Auditório da APAE- Santa Cruz do Sul

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INFORMAÇÕES SOBRE A PALESTRANTE:
Formação em Pedagogia com ênfase em Educação Infantil, séries iniciais, inclusão e coordenação escolar
Pós Graduada em Psicopedagoga Clínica/ Institucional
Pós Graduada em Neuropsicopedagogia/ Educação Inclusiva
Professora de cursos de pós- graduação
Palestrante
Psicopedagoga Clínica e Institucional
Assessora Pedagógica em Escolas de Educação Infantil
Ministrante de cursos de capacitação e Formação de professores
Colunista e responsável pela Página “Espaço pais e filhos”- Jornal Semanário – Bento Gonçalves, RS.

ASSUNTOS QUE SERÃO ABORDADOS NA OFICINA:
IDENTIDADE E AUTONOMIA
JOGOS E ESTIMULAÇÃO
MUSICALIZAÇÃO / LINGUAGEM ORAL E ESCRITA
ARTES DIVERSAS

BENEFÍCIOS PARA OS PROFISSIONAIS QUE REALIZAREM A OFICINA:
Saberá trabalhar as habilidades e competências de forma lúdica e prazerosa;
Maior amplitude de conhecimento;
Disponibilizará para seus alunos diversos recursos e técnicas de aprendizagem;
Terá argumentos ao dialogar sobre problemas cognitivos com outros profissionais e familiares;
Mudança de postura e transformação dos erros em situações de aprendizagem.

METODOLOGIA DE ENSINO:
Serão utilizados recursos modernos e atuais com o intuito de transmitir os conteúdos e técnicas de forma prazerosa e capaz de apresentar resultados significativos no que diz respeito à capacitação do aluno em relação à aprendizagem e a satisfação pessoal envolvendo a estimulação e o lado afetivo. Todas as oficinas são práticas para os participantes vivenciarem e explorarem os materiais.

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Cursos e oficinas para profissionais na área da Educação
Taise Agostini – https://www.facebook.com/grupotaiseagostini/
Data: 27/08/2016 – 8h às 17h
Local: Auditório da APAE de Santa Cruz do Sul
Investimento: R$220,00
Carga Horária: 8h
Certificado de participação emitido pelo Censupeg
Informações pelo telefone (51)9844-5025
marciacensupeg@hotmail.com

Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais -TICS

Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais -TICS
Modalidade à Distância

Sem título-4
O objetivo deste curso é desenvolver habilidades e competências de autoaprendizagem, autonomia, interação, colaboração, cooperação e usos de tecnologias educacionais, em professores, de maneira a formá-los para atuar com todas as ferramentas propostas.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público Alvo: O curso destina-se aos profissionais que atuam nas salas informatizadas, em sala de aula e demais interessados.
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Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Pós-Graduação em Psicopedagogia com Foco em Sala de Aula

Pós-Graduação em Psicopedagogia com Foco em Sala de Aula
Modalidade à Distância

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O objetivo deste curso é preparar profissional para atuar como psicopedagogo nas instituições de ensino, trazendo à discussão os fundamentos da psicopedagogia, a compreensão das dificuldades de aprendizagem, da linguagem e aquisição da escrita e das teorias da aprendizagem.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público Alvo: Graduados e pós-graduados egressos da área das Ciências Humanas que atuem ou queiram atuar na prevenção e na superação das dificuldades de aprendizagem em sala de aula; pedagogos; psicólogos; fonoaudiólogos; docentes; orientadores educacionais e interessados na área da educação.
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Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Pós-Graduação em Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar

Pós-Graduação Lato Sensu em Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar
Modalidade
A Distância

Sem título-2

O objetivo deste curso é capacitar profissionais para atuar na supervisão, orientação pedagógica e educacional, inspeção escolar, visando planejar, implementar, acompanhar e avaliar as atividades, com vistas ao sucesso do processo educativo em escolas, instituições, empresas e organizações, habilitando-os também ao magistério superior.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público-Alvo: Profissionais graduados ou pós-graduados das diversas áreas do conhecimento, supervisores, coordenadores, diretores, professores e orientadores.
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Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Pós-Gradução em Coordenação Pedagógica

Pós-Graduação Lato-Sensu em Coordenação Pedagógica
Modalidade
A Distância

Sem título-5
O objetivo deste curso é formar, em nível de pós-graduação lato sensu, coordenadores pedagógicos que atuam em instituições de educação básica, visando à ampliação de suas capacidades de análise discussão, produção e socialização de conhecimento e de elaboração de propostas de intervenção no âmbito da escola.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público Alvo: O curso destina-se aos profissionais que atuam como coordenadores pedagógicos e/ou profissionais que exercem função equivalente (supervisores, orientadores, inspetores e administradores) e integram a equipe gestora nas escolas de Educação Básica
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Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Escrita Espelho no Enfoque da Neurociência

Escrita espelho no enfoque da neurociência
Por Ana Lúcia Hennemann – Professora Censupeg

Observe a imagem abaixo, percebeu o que aparece na mesma?
neuropsicopedagogia

Óbvio é uma xícara. Os mais detalhistas falariam que a mesma aparece em posições diferenciadas, mas mesmo assim é uma xícara, mesmo estando de cabeça para baixo, com a alça posicionada para direita ou para esquerda. E foi através desta questão dos objetos que Dehaene buscou elementos acerca da letra espelhada.
Conta o pesquisador que seu filho Olivier, por volta de seus 5 anos, iniciou a escrita de seu nome da direita para a esquerda: REIVILO. O pai relata que teve um ímpeto de orgulho, pois imaginou que seu filho fosse capaz de imitar Leonardo da Vinci, mas junto com a euforia veio a ansiedade: – E se o filho estivesse sinalizando indícios de dislexia?
E foi assim, por curiosidade que iniciou as pesquisas em torno da escrita espelhada. Primeiras descobertas de Dehaene (2012, p.281)
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Ele é observado na idade em que a criança produz seus primeiros escritos. Só o prolongamento desse fenômeno além dos 8 ou 10 anos dá razões para inquietar-se. Nesta idade, com efeito, os erros de inversão em espelho são claramente mais frequentes nas crianças disléxicas, mesmo se eles tendem de modo igual a desaparecer em seguida. […] Trata-se aí de um comportamento estritamente normal, que se manifesta em todas as culturas, inclusas as da China e do Japão.
Contudo o autor se sentiu desafiado a descobrir mais, pois como pode uma criança que mal pode segurar um lápis, exibir sem o menor treinamento, uma habilidade superior a de um adulto? A resposta a seu questionamento foi encontrada em mecanismos antigos herdados de nossa história evolutiva.
Para nossos ancestrais esta poderia ser uma função de sobrevivência, enquanto que a detecção de um animal perigoso, inicialmente visto no lado direito, pode ser rapidamente identificado se apresentados do lado esquerdo num outro processo por este processo de simetria. Ou seja, Dehaene, nos diz com isso que podemos identificar um “tigre” vendo ele de perfil direito, mas a simetria de seu plano corporal também pode ser identificada em nosso cérebro se ele se encontra de perfil esquerdo.
Possuir um sistema nervoso simétrico e conservá-lo no curso da aprendizagem apresenta pois dupla vantagem: – a simetria do plano cerebral permite reconstruir as propriedades dos objetos de modo invariante, independentemente de sua orientação esquerda-direita; – mas ela não impede, no entanto, codificar sua orientação no espaço, e nem responder com ações espaciais adaptadas, aí compreendidas as ações assimétricas. (Dehaene, 2012, p.295)

Observe novamente a imagem da xícara colocada anteriormente e tente entender como por exemplo, a letra “q” seria visualizada no cérebro de um indivíduo no início de suas escritas…
neuropsicopedagogia

Os circuitos visuais da criança, se são aptos a se reciclar a fim de aprenderem a ler, possuem uma propriedade indesejável para a leitura: eles simetrizam objetos. É a razão porque todas as crianças cometem erros, no início de sua aprendizagem, erros de leitura e de escrita espelho. Para elas, as letras b e d não são senão um e o mesmo objeto sob dois ângulos diferentes. (Dehaene, 2012).

Para a aprendizagem da leitura e escrita a criança precisa ultrapassar este estágio do espelhamento e “desaprender” a generalização por simetria, enfim entender que letras como “d” e “b”, são letras diferentes.

Letra espelhada

Sendo que a distinção entre direita e esquerda começa na via visual dorsal (comanda os gestos no espaço). A criança aprende a traçar os contornos das letras e associa os gestos e orientações diferentes de cada um deles. Aos poucos esta aprendizagem motora se transfere à via visual ventral que reconhece os objetos. Dessa forma a simetria é quebrada, sendo que o leitor competente adquire conhecimentos visuais sobre a escrita normal.
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Também como forma de auxiliar as crianças neste “desaprender da escrita espelho”, atividades tais como a exploração tátil das letras feitas com diversas atividades e materiais:
– caminhar sobre a letra desenhada com giz no chão;
– molhar o dedo na água e contornar a letra;
– manipular letras feitas com lixa, madeira, enfim texturas diferenciadas;
– pedir para a criança desenhar números e letras no ar, experimentando diferentes dimensões, escrever na parede, no chão;
– praticar a escrita com os olhos fechados, etc.;
– brincar de saco surpresa: coloca-se as letras dentro de um saco e ela deve através do tato descobrir qual letra é (observação: coloca-se letras feitas de material de diversas texturas coladas em cartolina);
– construir letras com diferentes objetos motivadores para as crianças; massa de modelar, argila, e pode-se comprar aquelas forminhas de alfabeto encontradas nos brinquedos de areia para fazer gelatina dentro……qual criança não gostaria de comer uma letra feita de gelatina?
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Fontes:
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

Neurociências em Benefício da Educação

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A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Por Vera Lucia de Siqueira Mietto – Professora Censupeg
Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de aprendizagem é sem dúvida uma revolução para o meio educacional. A Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam e de como temos acesso a essas informações armazenadas.

Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos falando em processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais “intensas”. A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos que processam as informações que deverão ser então consolidadas.

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A neurociência nos vem descortinar o que antes desconhecíamos sobre o momento da aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e interage com o outro. Mas qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente? Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação, assim como, compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. Como não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado a percepção e identificações dos sons onde os reconhece por completo? (Área temporal verbal que produz os sons para que possamos fonar as letras). Não esquecendo a região occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender.
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Podemos compreender desta forma que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará, consequentemente, alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o funcionamento cerebral de forma positiva e permanente com resultados extremamente satisfatórios.
Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que ‘facilite’ esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador no processo ensino – aprendizagem.

Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais facilidade.
Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar nesse “fortalecimento neural”? Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante, questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber.

O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico e flexível, plugado em uma era informatizada aonde a cada momento novas informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, construindo juntos a aprendizagem.
A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor para poder identificar o indivíduo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o cérebro na hora da aprendizagem, a neurociência disponibiliza ao educador moderno (neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na aprendizagem a ele proporcionada. Tomarmos posse desses novos e fascinantes conhecimentos é imprescindível e de fundamental importância para uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que se mostre atuante e voltada às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.
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Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais (que viabilizam o gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas por neurocientistas, como até então imaginávamos. Estarão agora, na verdade, em sala de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a se delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma nova e fascinante gama de informações e conhecimentos está à disposição do educador moderno.

Graças a neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e da aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores uma vez que proporciona mais subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores fundamentais para que todo esse conhecimento que a neurociências nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta nova base de conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da transmissão do saber.

Fonte:Neurociências em benefício da Educação
Professora Censupeg Ana Lucia Hennemann

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Neuropsicopedagogia

Neuropsicopedagogia- Atuação do neuropsicopedagogo
O neuropsicopedagogo é o profissional que vai integrar à sua formação pedagógica o conhecimento adequado do funcionamento do cérebro, para melhor entender a forma como esse cérebro recebe, seleciona, transforma, memoriza, arquiva, processa e elabora todas as sensações captadas pelos diversos elementos sensores para, a partir desse entendimento, poder adaptar as metodologias e técnicas educacionais a todas as crianças e, principalmente, aquelas com características cognitivas e emocionais diferenciadas.

O neuropsicopedagogo terá que estar em busca constante dos necessários conhecimentos sobre as anomalias neurológicas (da neurologia), psiquiátricas (da psiquiatria), neuróticas (da psicanálise) e comportamentais (da psicologia) existentes, para desenvolver seu trabalho de acompanhamento pedagógico, desenvolvimento cognitivo e harmonização emocional das crianças que apresentem os sintomas dessas anomalias.

O profissional de, neuropsicopedagogo portanto, é um dos elementos mais importantes para as instituições que desejam desenvolver um verdadeiro e harmonioso processo ensino-aprendizagem.
A primeira etapa do atendimento, que na realidade será uma amostra do trabalho que desenvolverá, consiste na identificação das crianças que apresentem tais sintomatologias para escolher a que será acompanhada.


Escolhida a criança, o registro de todo o acompanhamento deve ser feito desde o início, com uma anamnese a mais completa possível. Isso deve ser efetuado por meio de entrevista com a criança ou: por observação própria; por exame de relatório de professores e coordenadores; pela leitura de laudos médicos; por entrevistas com os familiares e todos os que com ela convivem e todos os demais meios que estiveram à sua disposição.
Cópias dos laudos médicos devem fazer parte dessa pasta. Entre os detalhes a observar estão as suas características cognitivas, emocionais, psíquicas e comportamentais.

A segunda etapa consiste na análise de todas as habilidades e possibilidades já desenvolvidas pela criança. Para essa etapa há necessidade de se preparar os pais, familiares, professores e todas as pessoas que lidam com a criança, incluindo os médicos, para o que chamamos de observação positiva.
Normalmente observamos que todos comentam apenas as deficiências e as dificuldades da criança, fazendo comparações com as crianças consideradas normais. Para o trabalho neuropsicopedagógico precisamos apenas dos aspectos positivos de seu comportamento e habilidades, já que todo trabalho se baseia no desenvolvimento dessas habilidades do estado em que estiverem.

Assim sendo todos os entrevistados devem ser orientados a relatar apenas todas as habilidades que já foram observadas nessa criança, ignorando suas deficiências ou inabilidades.
Laudos médicos devem ser vistos, para solicitar daqueles profissionais uma nova análise da criança. O profissional médico precisa estar ciente de que as anomalias, as dificuldades e as impossibilidades só interessam à medicina para efeito de tratamento.

O processo de acompanhamento neuropsicpedagógico só leva em consideração as possibilidades e habilidades da criança, já que todo o trabalho parte da identificação e desenvolvimento dessas habilidades para que, a partir delas, tenha início o caminho de sua recuperação plena e integração ao grupo social de forma produtiva.
A terceira etapa prevê o contato com o médico, com o psicólogo, com o psicanalista ou com o fonoaudiólogo, entre outros profissionais da área. O neuropsicopedagogo deve apresentar-se para discutir com esse profissional alguma sugestão de acompanhamento que possa vir a auxiliar o tratamento neurológico, psiquiátrico, psicológico, psicanalítico ou fonoaudiológico que está sendo realizado.

A partir dessas três etapas iniciais o neuropsicopedagogo inicia o trabalho de acompanhamento terapêutico sempre voltado para a orientação dos pais e professores na forma correta de se conseguir o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental, colocando em prática os ensinamentos absorvidos durante o curso de Neuropsicopedagogia e, principalmente, em debates e estudos em grupo ou individuais realizados com base no aprendido.

É importante que durante todos os momentos desse acompanhamento o neuropsicopedagogo e todas as pessoas envolvidas com a criança estejam conscientes de que cada criança deve ser vista como um ser humano diferente de todos, respeitando a individualidade de cada sujeito, cujas características não podem e não devem ser comparadas às de nenhuma outra criança. A observação deve ser feita com base no aprendizado de suas características como sendo únicas. As únicas comparações permitidas são entre a criança hoje e ela mesma ontem, para efeito de análise da eficácia do processo neuropsicopedagógico. Todo resultado positivo alcançado pela criança, por menor que seja, deve ser verdadeiramente “sentido com alegria” pelo neuropsicopedagogo e por todos os que a acompanham.

O acompanhamento da criança ou do adolescente deve estar sendo registrada desde o primeiro encontro, enfatizando-se cada mínima habilidade detectada, a forma de estimular seu desenvolvimento a os resultados positivos alcançados, por menores que sejam.

O profissional da neuropsicopedagogia tem, como objetivos, o trabalho em escolas, empresas, hospitais e clínicas, para a identificação, acompanhamento e estimulação cognitiva e comportamental de pessoas com dificuldades intelectuais, emocionais e comportamentais ligadas à cognição e à memória.
POSNEUROPSICOPEDAGOGIA
Baseado no artigo do Professor Roberto Andersen

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Dislexia e estresse: implicações neuropsicológicas e psicopedagógicas

Dislexia e estresse: implicações neuropsicológicas e psicopedagógicas

A dislexia é um distúrbio específico de aprendizagem que se caracteriza por uma demora na aquisição da leitura e da escrita. É um distúrbio de origem neurológica, congênito e hereditário, sendo comum apresentar-se em parentes próximos, com maior incidência no sexo masculino, atingindo cerca de 15% da população. Não é uma doença e por isso não se pode falar em cura, seus sintomas são persistentes e acompanham o sujeito ao longo de sua vida, entretanto, com apoio e tratamento adequado, as dificuldades poderão ser contornadas.

A maioria dos especialistas na área concorda com a hipótese de que ocorre um déficit no processamento fonológico. Existem evidências também de problemas na memória verbal de curto prazo e algumas linhas de pesquisa atuais apontam para fatores visuais envolvidos na dislexia.


Os sintomas mais frequentes da dislexia são:

• Dificuldade e demora na aquisição da leitura e da escrita;
• Discrepância entre as realizações acadêmicas e seu potencial cognitivo;
• Dificuldade com os sons das palavras, principalmente com rimas, aliterações e soletração;
• Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia, ou grafias similares;
• Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras;
• Substituições de palavras por outras de estrutura mais ou menos similar ou criação de palavras, porém com diferente significado;
• Dificuldade na identificação e conversão fonema-grafema;
• Dificuldade na escrita, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas;
• Lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não nas orais;
• Dificuldade na organização sequencial, temporal e espacial;
• Dificuldade na orientação direita-esquerda;
• Dificuldade para nomear objetos, memorizar números, palavras e endereços;
• Dificuldade com cálculos matemáticos;
• Resistência ou relutância para escrever ou tomar notas;
• Persistência nos erros, apesar da ajuda profissional;
• Dificuldade com línguas estrangeiras;
• Baixa autoestima afetiva e intelectual;

RELUTÂNCIA PARA IR À ESCOLA

Geralmente o professor percebe a dificuldade de leitura e escrita e faz o encaminhamento para o especialista. É necessário fazer avaliação com uma equipe multidisciplinar. Começa então uma peregrinação entre diversos profissionais, como médico, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo, até que se chegue ao diagnóstico. O tratamento deverá ser sistemático e cumulativo, de preferência com a utilização de métodos multissensoriais.
A aquisição da leitura e da escrita de disléxicos não será feita na forma convencional como é feita nas escolas, o que provocará frustrações para o disléxico, pois sua aprendizagem não corresponderá às suas expectativas, nem de sua família. O fator emocional deverá ser considerado durante o tratamento, pois o processo é geralmente longo e demorado, com sentimento de insegurança e ansiedade.
Várias reações emocionais podem ocorrer nos disléxicos. Alguns têm atitudes depressivas diante de suas dificuldades de aprendizagem, recusando situações que exijam rendimento sistemático e ativo por temor de viver situações de fracasso. Outros apresentam atitude agressiva diante de seus superiores e iguais, com comportamento de hostilidade para com seus professores e colegas adiantados na escola. Podem também evitar e rejeitar qualquer situação que envolva leitura, retirando-se da aprendizagem e de competições, o que leva a uma diminuição da sua autoestima.
A maioria dos disléxicos após técnicas terapêuticas chega a dominar as habilidades da leitura e escrita, sempre com um nível de esforço. Dificilmente eles serão leitores interessados em material de leitura recreativa. Suas habilidades de leitura geralmente têm fins práticos, mas poderão ler eventualmente assuntos de interesse como uma forma de lazer. Eles provavelmente terão dificuldade em dominar com eficácia a leitura e ortografia de uma segunda língua.
Os disléxicos que não conseguem fazer tratamentos especializados bem sucedidos podem aumentar as fileiras dos analfabetos, ou podem ficar excluídos das profissões que requerem rendimento acadêmico.

ESTRESSE

Nos adultos, o estresse pode causar doenças físicas, como úlcera e gastrite, hipertensão, crises de pânico, doenças dermatológicas, distúrbios do sono, depressão e ansiedade, dentre outros, com risco dos problemas se tornarem graves a ponto de desencadear infartos, derrames, etc.
Em uma família em que um dos membros tem uma doença crônica, esta afeta a todos. Se a família souber lidar com o problema, reduzindo as situações de tensão emocional, o estresse diminui. No entanto, se os membros da família também forem ansiosos, o estresse será sentindo por todos. A família estressada necessita de cuidados especiais para poder sobreviver como uma unidade funcional, onde seus membros possam se adaptar aos estressores presentes. Um transtorno como a dislexia acaba causando estresse não só ao indivíduo, mas a toda sua família. No tratamento psicopedagógico de crianças/adolescentes, deve-se levar em consideração que o estresse interfere no processo terapêutico.

Para se tratar o estresse é necessário identificar os estressores internos e externos. As fontes de estresse externas são mais fáceis de identificar do que as internas, pois estas muitas vezes não são percebidas claramente pelo indivíduo, e envolvem crenças e valores. As estratégias de enfrentamento das situações que causam o estresse determinaram sua evolução positiva ou negativa.


PSICOPEDAGOGIA

A Psicopedagogia surgiu da necessidade de atendimento às crianças com problemas de aprendizagem, numa fronteira entre a psicologia e a pedagogia. A maioria dos autores concorda que é uma área que estuda a aprendizagem humana, numa abordagem preventiva e curativa.
A Psicopedagogia engloba conhecimentos específicos de diversas áreas, sendo as principais as seguintes: psicanálise, psicologia social, psicologia genética, linguística, pedagogia e neuropsicologia.
A prática psicopedagógica ocorre num âmbito clínico ou institucional. Na prática clínica, o psicopedagogo busca o sentido particular da dificuldade de aprendizagem do sujeito ou do grupo, identificando as causas e os elementos que dificultam ou facilitam o processo de aprendizagem, observando e analisando o contexto da situação, numa atitude de investigação e intervenção. Na psicopedagogia institucional, o sujeito é a própria instituição, com sua rede de relações, sua filosofia, valores e ideologia.
Dentre os distúrbios de aprendizagem, a dislexia ocupa um espaço particular, em função de sua complexidade, pois, em muitos casos, seu diagnóstico é tardio, e o impacto na vida do sujeito e de sua família é enorme, uma vez que não é doença, por isso não tem cura. A dislexia é uma dificuldade, não impossibilidade, mas pode causar profundos efeitos negativos ou positivos na personalidade do disléxico, que tem que aprender a conviver com esse problema para o resto de sua vida.

O tratamento do disléxico geralmente envolve dois métodos de alfabetização, segundo a maioria dos especialistas: o método multissensorial e o método fônico.
A intervenção psicopedagógica de um disléxico acaba se tornando um processo prolongado, muitas vezes durando anos. O sucesso do tratamento depende da atuação do profissional, da escola, da família e do próprio disléxico. Devido à sua complexidade faz-se necessário buscar referenciais de outras áreas para melhor compreensão, abordagem e tratamento. Dentre essas áreas, os conhecimentos da neuropsicologia têm uma importância especial, em função dos estudos e avanços mais recentes.


NEUROPSICOLOGIA

A neuropsicologia é um campo específico das neurociências que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento. Sua fundamentação teórica foi construída a partir da convergência de várias ciências, entre elas a medicina, fisiologia e psicologia, sofrendo influência da escola russa por meio de Vygotsky e Luria, que ressaltaram a importância dos fatores socioculturais na evolução do ser humano.

Os processos mentais humanos são sistemas funcionais complexos que ocorrem por meio da participação de grupos de estruturas cerebrais operando em concerto. Ele definiu três unidades cerebrais funcionais, necessárias para qualquer tipo de atividade humana: a primeira unidade funcional regula o tono e a vigília, a segunda recebe, processa e armazena as informações que chegam do mundo exterior e a terceira programa, regula e verifica a atividade mental.
No ser humano, a linguagem parte da ação, passa por ela, mas progressivamente vai se distanciando dela, passando da linguagem gestual para a linguagem falada e posteriormente para a linguagem escrita. Em função desse desenvolvimento social ocorre uma organização funcional do cérebro, onde “o cérebro humano transformou-se no próprio órgão da civilização”.
O sistema límbico está implicado no controle dos processos emocionais e motivacionais, da memória e da aprendizagem, e ainda no controle do meio interno. Neste sistema estão incluídos o hipocampo (importante para a fixação da memória declarativa), a amígdala cerebral (responsável pelas emoções principalmente de ansiedade e medo) e o giro do cíngulo (envolvido nos processos da atenção, memória, motivação, emoção e função visceral).
O sistema límbico forma um cérebro emocional que permanece constantemente em guarda, e aciona um alarme quando percebe algum perigo ou ameaça. Já o cérebro cognitivo, formado pelo neocórtex, tem a habilidade de controlar as reações emocionais.
A amígdala pode ser um repositório de impressões emocionais, podendo acionar uma resposta emocional em situações de emergência, que dispara a secreção de hormônios para lutar ou fugir, antes mesmo que o neocórtex processe a informação e emita uma resposta. Por isso, muitas vezes, a emoção pode esmagar a racionalidade. O hipocampo seria responsável por lembrar os fatos puros, enquanto a amígdala grava na memória a intensidade emocional do estímulo. A amígdala examina a experiência, comparando com alguma situação vivida no passado, por meio de associações com eventos anteriores, muitas vezes com vagas semelhanças. Essas reações foram importantes para a sobrevivência da espécie humana, em função da rapidez para fugir de situações de perigo. Entretanto, na vida emocional atual dos seres humanos, muitas vezes causam consequências desastrosas nas relações sociais.
As reações de sobrevivência acontecem cada vez que estamos em alguma situação de possível ameaça e são desencadeadas dentro do cérebro, como foi citado anteriormente. Isso provoca sentimentos de medo e ansiedade (sistema límbico), que deflagram o estresse. Então, o estresse é uma reação que começa no cérebro e se espalha por todo o organismo, causando reações emocionais, fisiológicas e comportamentais.
A dislexia é um distúrbio de linguagem de origem neurológica e crônica, tendo o disléxico que aprender a conviver com os sintomas para o resto da vida. No entanto, para que possa se adaptar em uma sociedade letrada, que exige níveis de escolaridade cada vez mais altos, deverá aprender a lidar com suas dificuldades de leitura e escrita. Para melhorar seu desempenho faz-se necessária uma rede de apoio nos diversos ambientes onde circula.
A síndrome disléxica precisa ser compreendida sob a ótica de vários conhecimentos, entre eles o conhecimento da neuropsicologia, pois na dislexia há um funcionamento cerebral diferente no hemisfério esquerdo na área da linguagem. Por se tratar de uma dificuldade contínua, necessita também de acompanhamento psicopedagógico e desenvolvimento de estratégias educacionais nos ambientes familiar, escolar e social, para favorecerem sua adaptação nesses contextos.
Na prática o tratamento é prolongado, muitas vezes estressante, causando “distresse” e desconforto emocional cada vez que o disléxico se depara com uma situação nova que envolva atividades de leitura e escrita, como mudança de escola, de professor, de curso, atividades sociais e mesmo nos relacionamentos interpessoais. Devem-se tratar enfaticamente aspectos psicológicos para que os demais tratamentos possam ser bem sucedidos.
Existem muitos estudos relativos à dislexia que tratam de aspectos neurológicos e educacionais, no entanto pouco se investiga sobre os aspectos emocionais e estressantes vividos nos diversos ambientes por onde os disléxicos circulam, e como isso influencia nos tratamentos realizados.

Maria Arminda S. Tutti Cabussú
Psicóloga, Especialista em Psicoterapia Junguiana, Psicopedagogia e Neuropsicologia.
Fonte:Scielo

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