Pós-Graduação em Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar

Pós-Graduação Lato Sensu em Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar
Modalidade
A Distância

Sem título-2

O objetivo deste curso é capacitar profissionais para atuar na supervisão, orientação pedagógica e educacional, inspeção escolar, visando planejar, implementar, acompanhar e avaliar as atividades, com vistas ao sucesso do processo educativo em escolas, instituições, empresas e organizações, habilitando-os também ao magistério superior.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público-Alvo: Profissionais graduados ou pós-graduados das diversas áreas do conhecimento, supervisores, coordenadores, diretores, professores e orientadores.
unisociesc
Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Pós-Gradução em Coordenação Pedagógica

Pós-Graduação Lato-Sensu em Coordenação Pedagógica
Modalidade
A Distância

Sem título-5
O objetivo deste curso é formar, em nível de pós-graduação lato sensu, coordenadores pedagógicos que atuam em instituições de educação básica, visando à ampliação de suas capacidades de análise discussão, produção e socialização de conhecimento e de elaboração de propostas de intervenção no âmbito da escola.
O curso caracteriza-se por promover autonomia e flexibilidade, permitindo que o aluno organize seus estudos conforme sua disponibilidade. Material de estudos disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Realização de fóruns e chats interativos, visando auxiliar o aluno nos seus estudos. Tutoria assíncrona para atender o aluno quando tiver dúvidas. O aluno comparece ao polo apenas uma vez durante todo o curso para realizar sua prova individual, obrigatória e presencial no polo escolhido pelo aluno no ato da matrícula.
Público Alvo: O curso destina-se aos profissionais que atuam como coordenadores pedagógicos e/ou profissionais que exercem função equivalente (supervisores, orientadores, inspetores e administradores) e integram a equipe gestora nas escolas de Educação Básica
unisociesc
Carga Horária: 380 horas (com TCC)
Duração do Curso:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1: 12 meses
Opção 2: 6 meses
Investimento:
Opção 1 (para Contrato de Curso com 12 meses de duração) : 1 + 15 parcelas de R$ 172,18*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 163,57.
Opção 2 (para Contrato de Curso com 6 meses de duração): 1 + 7 parcelas de R$ R$ 344,35*
* Para pagamentos efetuados até o dia 10 de cada mês, Valor da Mensalidade R$ 327,14.

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Escrita Espelho no Enfoque da Neurociência

Escrita espelho no enfoque da neurociência
Por Ana Lúcia Hennemann – Professora Censupeg

Observe a imagem abaixo, percebeu o que aparece na mesma?
neuropsicopedagogia

Óbvio é uma xícara. Os mais detalhistas falariam que a mesma aparece em posições diferenciadas, mas mesmo assim é uma xícara, mesmo estando de cabeça para baixo, com a alça posicionada para direita ou para esquerda. E foi através desta questão dos objetos que Dehaene buscou elementos acerca da letra espelhada.
Conta o pesquisador que seu filho Olivier, por volta de seus 5 anos, iniciou a escrita de seu nome da direita para a esquerda: REIVILO. O pai relata que teve um ímpeto de orgulho, pois imaginou que seu filho fosse capaz de imitar Leonardo da Vinci, mas junto com a euforia veio a ansiedade: – E se o filho estivesse sinalizando indícios de dislexia?
E foi assim, por curiosidade que iniciou as pesquisas em torno da escrita espelhada. Primeiras descobertas de Dehaene (2012, p.281)
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Ele é observado na idade em que a criança produz seus primeiros escritos. Só o prolongamento desse fenômeno além dos 8 ou 10 anos dá razões para inquietar-se. Nesta idade, com efeito, os erros de inversão em espelho são claramente mais frequentes nas crianças disléxicas, mesmo se eles tendem de modo igual a desaparecer em seguida. […] Trata-se aí de um comportamento estritamente normal, que se manifesta em todas as culturas, inclusas as da China e do Japão.
Contudo o autor se sentiu desafiado a descobrir mais, pois como pode uma criança que mal pode segurar um lápis, exibir sem o menor treinamento, uma habilidade superior a de um adulto? A resposta a seu questionamento foi encontrada em mecanismos antigos herdados de nossa história evolutiva.
Para nossos ancestrais esta poderia ser uma função de sobrevivência, enquanto que a detecção de um animal perigoso, inicialmente visto no lado direito, pode ser rapidamente identificado se apresentados do lado esquerdo num outro processo por este processo de simetria. Ou seja, Dehaene, nos diz com isso que podemos identificar um “tigre” vendo ele de perfil direito, mas a simetria de seu plano corporal também pode ser identificada em nosso cérebro se ele se encontra de perfil esquerdo.
Possuir um sistema nervoso simétrico e conservá-lo no curso da aprendizagem apresenta pois dupla vantagem: – a simetria do plano cerebral permite reconstruir as propriedades dos objetos de modo invariante, independentemente de sua orientação esquerda-direita; – mas ela não impede, no entanto, codificar sua orientação no espaço, e nem responder com ações espaciais adaptadas, aí compreendidas as ações assimétricas. (Dehaene, 2012, p.295)

Observe novamente a imagem da xícara colocada anteriormente e tente entender como por exemplo, a letra “q” seria visualizada no cérebro de um indivíduo no início de suas escritas…
neuropsicopedagogia

Os circuitos visuais da criança, se são aptos a se reciclar a fim de aprenderem a ler, possuem uma propriedade indesejável para a leitura: eles simetrizam objetos. É a razão porque todas as crianças cometem erros, no início de sua aprendizagem, erros de leitura e de escrita espelho. Para elas, as letras b e d não são senão um e o mesmo objeto sob dois ângulos diferentes. (Dehaene, 2012).

Para a aprendizagem da leitura e escrita a criança precisa ultrapassar este estágio do espelhamento e “desaprender” a generalização por simetria, enfim entender que letras como “d” e “b”, são letras diferentes.

Letra espelhada

Sendo que a distinção entre direita e esquerda começa na via visual dorsal (comanda os gestos no espaço). A criança aprende a traçar os contornos das letras e associa os gestos e orientações diferentes de cada um deles. Aos poucos esta aprendizagem motora se transfere à via visual ventral que reconhece os objetos. Dessa forma a simetria é quebrada, sendo que o leitor competente adquire conhecimentos visuais sobre a escrita normal.
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Também como forma de auxiliar as crianças neste “desaprender da escrita espelho”, atividades tais como a exploração tátil das letras feitas com diversas atividades e materiais:
– caminhar sobre a letra desenhada com giz no chão;
– molhar o dedo na água e contornar a letra;
– manipular letras feitas com lixa, madeira, enfim texturas diferenciadas;
– pedir para a criança desenhar números e letras no ar, experimentando diferentes dimensões, escrever na parede, no chão;
– praticar a escrita com os olhos fechados, etc.;
– brincar de saco surpresa: coloca-se as letras dentro de um saco e ela deve através do tato descobrir qual letra é (observação: coloca-se letras feitas de material de diversas texturas coladas em cartolina);
– construir letras com diferentes objetos motivadores para as crianças; massa de modelar, argila, e pode-se comprar aquelas forminhas de alfabeto encontradas nos brinquedos de areia para fazer gelatina dentro……qual criança não gostaria de comer uma letra feita de gelatina?
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Fontes:
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

Neurociências em Benefício da Educação

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A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Por Vera Lucia de Siqueira Mietto – Professora Censupeg
Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de aprendizagem é sem dúvida uma revolução para o meio educacional. A Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam e de como temos acesso a essas informações armazenadas.

Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos falando em processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais “intensas”. A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos que processam as informações que deverão ser então consolidadas.

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A neurociência nos vem descortinar o que antes desconhecíamos sobre o momento da aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e interage com o outro. Mas qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente? Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação, assim como, compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. Como não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado a percepção e identificações dos sons onde os reconhece por completo? (Área temporal verbal que produz os sons para que possamos fonar as letras). Não esquecendo a região occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender.
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Podemos compreender desta forma que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará, consequentemente, alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o funcionamento cerebral de forma positiva e permanente com resultados extremamente satisfatórios.
Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que ‘facilite’ esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador no processo ensino – aprendizagem.

Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais facilidade.
Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar nesse “fortalecimento neural”? Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante, questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber.

O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico e flexível, plugado em uma era informatizada aonde a cada momento novas informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, construindo juntos a aprendizagem.
A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor para poder identificar o indivíduo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o cérebro na hora da aprendizagem, a neurociência disponibiliza ao educador moderno (neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na aprendizagem a ele proporcionada. Tomarmos posse desses novos e fascinantes conhecimentos é imprescindível e de fundamental importância para uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que se mostre atuante e voltada às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.
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Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais (que viabilizam o gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas por neurocientistas, como até então imaginávamos. Estarão agora, na verdade, em sala de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a se delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma nova e fascinante gama de informações e conhecimentos está à disposição do educador moderno.

Graças a neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e da aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores uma vez que proporciona mais subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores fundamentais para que todo esse conhecimento que a neurociências nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta nova base de conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da transmissão do saber.

Fonte:Neurociências em benefício da Educação
Professora Censupeg Ana Lucia Hennemann

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Neuropsicopedagogia

Neuropsicopedagogia- Atuação do neuropsicopedagogo
O neuropsicopedagogo é o profissional que vai integrar à sua formação pedagógica o conhecimento adequado do funcionamento do cérebro, para melhor entender a forma como esse cérebro recebe, seleciona, transforma, memoriza, arquiva, processa e elabora todas as sensações captadas pelos diversos elementos sensores para, a partir desse entendimento, poder adaptar as metodologias e técnicas educacionais a todas as crianças e, principalmente, aquelas com características cognitivas e emocionais diferenciadas.

O neuropsicopedagogo terá que estar em busca constante dos necessários conhecimentos sobre as anomalias neurológicas (da neurologia), psiquiátricas (da psiquiatria), neuróticas (da psicanálise) e comportamentais (da psicologia) existentes, para desenvolver seu trabalho de acompanhamento pedagógico, desenvolvimento cognitivo e harmonização emocional das crianças que apresentem os sintomas dessas anomalias.

O profissional de, neuropsicopedagogo portanto, é um dos elementos mais importantes para as instituições que desejam desenvolver um verdadeiro e harmonioso processo ensino-aprendizagem.
A primeira etapa do atendimento, que na realidade será uma amostra do trabalho que desenvolverá, consiste na identificação das crianças que apresentem tais sintomatologias para escolher a que será acompanhada.


Escolhida a criança, o registro de todo o acompanhamento deve ser feito desde o início, com uma anamnese a mais completa possível. Isso deve ser efetuado por meio de entrevista com a criança ou: por observação própria; por exame de relatório de professores e coordenadores; pela leitura de laudos médicos; por entrevistas com os familiares e todos os que com ela convivem e todos os demais meios que estiveram à sua disposição.
Cópias dos laudos médicos devem fazer parte dessa pasta. Entre os detalhes a observar estão as suas características cognitivas, emocionais, psíquicas e comportamentais.

A segunda etapa consiste na análise de todas as habilidades e possibilidades já desenvolvidas pela criança. Para essa etapa há necessidade de se preparar os pais, familiares, professores e todas as pessoas que lidam com a criança, incluindo os médicos, para o que chamamos de observação positiva.
Normalmente observamos que todos comentam apenas as deficiências e as dificuldades da criança, fazendo comparações com as crianças consideradas normais. Para o trabalho neuropsicopedagógico precisamos apenas dos aspectos positivos de seu comportamento e habilidades, já que todo trabalho se baseia no desenvolvimento dessas habilidades do estado em que estiverem.

Assim sendo todos os entrevistados devem ser orientados a relatar apenas todas as habilidades que já foram observadas nessa criança, ignorando suas deficiências ou inabilidades.
Laudos médicos devem ser vistos, para solicitar daqueles profissionais uma nova análise da criança. O profissional médico precisa estar ciente de que as anomalias, as dificuldades e as impossibilidades só interessam à medicina para efeito de tratamento.

O processo de acompanhamento neuropsicpedagógico só leva em consideração as possibilidades e habilidades da criança, já que todo o trabalho parte da identificação e desenvolvimento dessas habilidades para que, a partir delas, tenha início o caminho de sua recuperação plena e integração ao grupo social de forma produtiva.
A terceira etapa prevê o contato com o médico, com o psicólogo, com o psicanalista ou com o fonoaudiólogo, entre outros profissionais da área. O neuropsicopedagogo deve apresentar-se para discutir com esse profissional alguma sugestão de acompanhamento que possa vir a auxiliar o tratamento neurológico, psiquiátrico, psicológico, psicanalítico ou fonoaudiológico que está sendo realizado.

A partir dessas três etapas iniciais o neuropsicopedagogo inicia o trabalho de acompanhamento terapêutico sempre voltado para a orientação dos pais e professores na forma correta de se conseguir o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental, colocando em prática os ensinamentos absorvidos durante o curso de Neuropsicopedagogia e, principalmente, em debates e estudos em grupo ou individuais realizados com base no aprendido.

É importante que durante todos os momentos desse acompanhamento o neuropsicopedagogo e todas as pessoas envolvidas com a criança estejam conscientes de que cada criança deve ser vista como um ser humano diferente de todos, respeitando a individualidade de cada sujeito, cujas características não podem e não devem ser comparadas às de nenhuma outra criança. A observação deve ser feita com base no aprendizado de suas características como sendo únicas. As únicas comparações permitidas são entre a criança hoje e ela mesma ontem, para efeito de análise da eficácia do processo neuropsicopedagógico. Todo resultado positivo alcançado pela criança, por menor que seja, deve ser verdadeiramente “sentido com alegria” pelo neuropsicopedagogo e por todos os que a acompanham.

O acompanhamento da criança ou do adolescente deve estar sendo registrada desde o primeiro encontro, enfatizando-se cada mínima habilidade detectada, a forma de estimular seu desenvolvimento a os resultados positivos alcançados, por menores que sejam.

O profissional da neuropsicopedagogia tem, como objetivos, o trabalho em escolas, empresas, hospitais e clínicas, para a identificação, acompanhamento e estimulação cognitiva e comportamental de pessoas com dificuldades intelectuais, emocionais e comportamentais ligadas à cognição e à memória.
POSNEUROPSICOPEDAGOGIA
Baseado no artigo do Professor Roberto Andersen

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Dislexia e estresse: implicações neuropsicológicas e psicopedagógicas

Dislexia e estresse: implicações neuropsicológicas e psicopedagógicas

A dislexia é um distúrbio específico de aprendizagem que se caracteriza por uma demora na aquisição da leitura e da escrita. É um distúrbio de origem neurológica, congênito e hereditário, sendo comum apresentar-se em parentes próximos, com maior incidência no sexo masculino, atingindo cerca de 15% da população. Não é uma doença e por isso não se pode falar em cura, seus sintomas são persistentes e acompanham o sujeito ao longo de sua vida, entretanto, com apoio e tratamento adequado, as dificuldades poderão ser contornadas.

A maioria dos especialistas na área concorda com a hipótese de que ocorre um déficit no processamento fonológico. Existem evidências também de problemas na memória verbal de curto prazo e algumas linhas de pesquisa atuais apontam para fatores visuais envolvidos na dislexia.


Os sintomas mais frequentes da dislexia são:

• Dificuldade e demora na aquisição da leitura e da escrita;
• Discrepância entre as realizações acadêmicas e seu potencial cognitivo;
• Dificuldade com os sons das palavras, principalmente com rimas, aliterações e soletração;
• Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia, ou grafias similares;
• Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras;
• Substituições de palavras por outras de estrutura mais ou menos similar ou criação de palavras, porém com diferente significado;
• Dificuldade na identificação e conversão fonema-grafema;
• Dificuldade na escrita, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas;
• Lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não nas orais;
• Dificuldade na organização sequencial, temporal e espacial;
• Dificuldade na orientação direita-esquerda;
• Dificuldade para nomear objetos, memorizar números, palavras e endereços;
• Dificuldade com cálculos matemáticos;
• Resistência ou relutância para escrever ou tomar notas;
• Persistência nos erros, apesar da ajuda profissional;
• Dificuldade com línguas estrangeiras;
• Baixa autoestima afetiva e intelectual;

RELUTÂNCIA PARA IR À ESCOLA

Geralmente o professor percebe a dificuldade de leitura e escrita e faz o encaminhamento para o especialista. É necessário fazer avaliação com uma equipe multidisciplinar. Começa então uma peregrinação entre diversos profissionais, como médico, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo, até que se chegue ao diagnóstico. O tratamento deverá ser sistemático e cumulativo, de preferência com a utilização de métodos multissensoriais.
A aquisição da leitura e da escrita de disléxicos não será feita na forma convencional como é feita nas escolas, o que provocará frustrações para o disléxico, pois sua aprendizagem não corresponderá às suas expectativas, nem de sua família. O fator emocional deverá ser considerado durante o tratamento, pois o processo é geralmente longo e demorado, com sentimento de insegurança e ansiedade.
Várias reações emocionais podem ocorrer nos disléxicos. Alguns têm atitudes depressivas diante de suas dificuldades de aprendizagem, recusando situações que exijam rendimento sistemático e ativo por temor de viver situações de fracasso. Outros apresentam atitude agressiva diante de seus superiores e iguais, com comportamento de hostilidade para com seus professores e colegas adiantados na escola. Podem também evitar e rejeitar qualquer situação que envolva leitura, retirando-se da aprendizagem e de competições, o que leva a uma diminuição da sua autoestima.
A maioria dos disléxicos após técnicas terapêuticas chega a dominar as habilidades da leitura e escrita, sempre com um nível de esforço. Dificilmente eles serão leitores interessados em material de leitura recreativa. Suas habilidades de leitura geralmente têm fins práticos, mas poderão ler eventualmente assuntos de interesse como uma forma de lazer. Eles provavelmente terão dificuldade em dominar com eficácia a leitura e ortografia de uma segunda língua.
Os disléxicos que não conseguem fazer tratamentos especializados bem sucedidos podem aumentar as fileiras dos analfabetos, ou podem ficar excluídos das profissões que requerem rendimento acadêmico.

ESTRESSE

Nos adultos, o estresse pode causar doenças físicas, como úlcera e gastrite, hipertensão, crises de pânico, doenças dermatológicas, distúrbios do sono, depressão e ansiedade, dentre outros, com risco dos problemas se tornarem graves a ponto de desencadear infartos, derrames, etc.
Em uma família em que um dos membros tem uma doença crônica, esta afeta a todos. Se a família souber lidar com o problema, reduzindo as situações de tensão emocional, o estresse diminui. No entanto, se os membros da família também forem ansiosos, o estresse será sentindo por todos. A família estressada necessita de cuidados especiais para poder sobreviver como uma unidade funcional, onde seus membros possam se adaptar aos estressores presentes. Um transtorno como a dislexia acaba causando estresse não só ao indivíduo, mas a toda sua família. No tratamento psicopedagógico de crianças/adolescentes, deve-se levar em consideração que o estresse interfere no processo terapêutico.

Para se tratar o estresse é necessário identificar os estressores internos e externos. As fontes de estresse externas são mais fáceis de identificar do que as internas, pois estas muitas vezes não são percebidas claramente pelo indivíduo, e envolvem crenças e valores. As estratégias de enfrentamento das situações que causam o estresse determinaram sua evolução positiva ou negativa.


PSICOPEDAGOGIA

A Psicopedagogia surgiu da necessidade de atendimento às crianças com problemas de aprendizagem, numa fronteira entre a psicologia e a pedagogia. A maioria dos autores concorda que é uma área que estuda a aprendizagem humana, numa abordagem preventiva e curativa.
A Psicopedagogia engloba conhecimentos específicos de diversas áreas, sendo as principais as seguintes: psicanálise, psicologia social, psicologia genética, linguística, pedagogia e neuropsicologia.
A prática psicopedagógica ocorre num âmbito clínico ou institucional. Na prática clínica, o psicopedagogo busca o sentido particular da dificuldade de aprendizagem do sujeito ou do grupo, identificando as causas e os elementos que dificultam ou facilitam o processo de aprendizagem, observando e analisando o contexto da situação, numa atitude de investigação e intervenção. Na psicopedagogia institucional, o sujeito é a própria instituição, com sua rede de relações, sua filosofia, valores e ideologia.
Dentre os distúrbios de aprendizagem, a dislexia ocupa um espaço particular, em função de sua complexidade, pois, em muitos casos, seu diagnóstico é tardio, e o impacto na vida do sujeito e de sua família é enorme, uma vez que não é doença, por isso não tem cura. A dislexia é uma dificuldade, não impossibilidade, mas pode causar profundos efeitos negativos ou positivos na personalidade do disléxico, que tem que aprender a conviver com esse problema para o resto de sua vida.

O tratamento do disléxico geralmente envolve dois métodos de alfabetização, segundo a maioria dos especialistas: o método multissensorial e o método fônico.
A intervenção psicopedagógica de um disléxico acaba se tornando um processo prolongado, muitas vezes durando anos. O sucesso do tratamento depende da atuação do profissional, da escola, da família e do próprio disléxico. Devido à sua complexidade faz-se necessário buscar referenciais de outras áreas para melhor compreensão, abordagem e tratamento. Dentre essas áreas, os conhecimentos da neuropsicologia têm uma importância especial, em função dos estudos e avanços mais recentes.


NEUROPSICOLOGIA

A neuropsicologia é um campo específico das neurociências que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento. Sua fundamentação teórica foi construída a partir da convergência de várias ciências, entre elas a medicina, fisiologia e psicologia, sofrendo influência da escola russa por meio de Vygotsky e Luria, que ressaltaram a importância dos fatores socioculturais na evolução do ser humano.

Os processos mentais humanos são sistemas funcionais complexos que ocorrem por meio da participação de grupos de estruturas cerebrais operando em concerto. Ele definiu três unidades cerebrais funcionais, necessárias para qualquer tipo de atividade humana: a primeira unidade funcional regula o tono e a vigília, a segunda recebe, processa e armazena as informações que chegam do mundo exterior e a terceira programa, regula e verifica a atividade mental.
No ser humano, a linguagem parte da ação, passa por ela, mas progressivamente vai se distanciando dela, passando da linguagem gestual para a linguagem falada e posteriormente para a linguagem escrita. Em função desse desenvolvimento social ocorre uma organização funcional do cérebro, onde “o cérebro humano transformou-se no próprio órgão da civilização”.
O sistema límbico está implicado no controle dos processos emocionais e motivacionais, da memória e da aprendizagem, e ainda no controle do meio interno. Neste sistema estão incluídos o hipocampo (importante para a fixação da memória declarativa), a amígdala cerebral (responsável pelas emoções principalmente de ansiedade e medo) e o giro do cíngulo (envolvido nos processos da atenção, memória, motivação, emoção e função visceral).
O sistema límbico forma um cérebro emocional que permanece constantemente em guarda, e aciona um alarme quando percebe algum perigo ou ameaça. Já o cérebro cognitivo, formado pelo neocórtex, tem a habilidade de controlar as reações emocionais.
A amígdala pode ser um repositório de impressões emocionais, podendo acionar uma resposta emocional em situações de emergência, que dispara a secreção de hormônios para lutar ou fugir, antes mesmo que o neocórtex processe a informação e emita uma resposta. Por isso, muitas vezes, a emoção pode esmagar a racionalidade. O hipocampo seria responsável por lembrar os fatos puros, enquanto a amígdala grava na memória a intensidade emocional do estímulo. A amígdala examina a experiência, comparando com alguma situação vivida no passado, por meio de associações com eventos anteriores, muitas vezes com vagas semelhanças. Essas reações foram importantes para a sobrevivência da espécie humana, em função da rapidez para fugir de situações de perigo. Entretanto, na vida emocional atual dos seres humanos, muitas vezes causam consequências desastrosas nas relações sociais.
As reações de sobrevivência acontecem cada vez que estamos em alguma situação de possível ameaça e são desencadeadas dentro do cérebro, como foi citado anteriormente. Isso provoca sentimentos de medo e ansiedade (sistema límbico), que deflagram o estresse. Então, o estresse é uma reação que começa no cérebro e se espalha por todo o organismo, causando reações emocionais, fisiológicas e comportamentais.
A dislexia é um distúrbio de linguagem de origem neurológica e crônica, tendo o disléxico que aprender a conviver com os sintomas para o resto da vida. No entanto, para que possa se adaptar em uma sociedade letrada, que exige níveis de escolaridade cada vez mais altos, deverá aprender a lidar com suas dificuldades de leitura e escrita. Para melhorar seu desempenho faz-se necessária uma rede de apoio nos diversos ambientes onde circula.
A síndrome disléxica precisa ser compreendida sob a ótica de vários conhecimentos, entre eles o conhecimento da neuropsicologia, pois na dislexia há um funcionamento cerebral diferente no hemisfério esquerdo na área da linguagem. Por se tratar de uma dificuldade contínua, necessita também de acompanhamento psicopedagógico e desenvolvimento de estratégias educacionais nos ambientes familiar, escolar e social, para favorecerem sua adaptação nesses contextos.
Na prática o tratamento é prolongado, muitas vezes estressante, causando “distresse” e desconforto emocional cada vez que o disléxico se depara com uma situação nova que envolva atividades de leitura e escrita, como mudança de escola, de professor, de curso, atividades sociais e mesmo nos relacionamentos interpessoais. Devem-se tratar enfaticamente aspectos psicológicos para que os demais tratamentos possam ser bem sucedidos.
Existem muitos estudos relativos à dislexia que tratam de aspectos neurológicos e educacionais, no entanto pouco se investiga sobre os aspectos emocionais e estressantes vividos nos diversos ambientes por onde os disléxicos circulam, e como isso influencia nos tratamentos realizados.

Maria Arminda S. Tutti Cabussú
Psicóloga, Especialista em Psicoterapia Junguiana, Psicopedagogia e Neuropsicologia.
Fonte:Scielo

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Educação e Redes Sociais: reflexões acerca do Facebook enquanto espaço de aprendizagem

A sociedade em rede e os novos desafios da educação
A tarefa de conceptualização sobre o tempo e espaço que vivenciamos não deixa de afigurar-se como uma tarefa árdua, não só porque estamos perante a existência de inúmeras e diversificadas perspectivas, como também devido ao fato de muito já se ter pensado, escrito e partilhado sobre a nossa contemporaneidade.
A “nova sociedade” informacional é uma “sociedade em rede”, tendo em conta que “as funções e os [atuais] processos dominantes […] organizam-se, cada vez mais, em torno de redes e isto representa o auge de uma tendência histórica. As redes constituem a nova morfologia das sociedades e a difusão da sua lógica modifica substancialmente as operações e os resultados dos processos de produção, experiência, poder e cultura. […] (CASTELLS, 2007).

Assim, o novo trabalhador terá de ser flexível, adaptável às mudanças de forma permanente (ao longo da vida) e autônomo mas envolvido, “requer[-se] uma reconversão total do sistema educativo, em todos os seus níveis e domínios. Isto refere-se, certamente, a novas formas de tecnologia e pedagogia, mas também aos conteúdos e organização do processo de aprendizagem.

Redes sociais: o Facebook em contexto educativo

As redes sociais não são um fenômeno recente, nem tão pouco surgiu com a web, sempre existiram na sociedade, motivadas pela necessidade que os indivíduos têm de partilhar entre si conhecimentos, informações ou preferências.
Sendo as redes sociais espaços coletivos e colaborativos de comunicação e de troca de informação, podem facilitar a criação e desenvolvimento de comunidades de prática ou de aprendizagem desde que exista uma intencionalidade educativa explícita.
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Estas comunidades virtuais têm-se afirmado como uma importante alternativa à aprendizagem e aos contextos organizacionais tradicionais e, ao serem suportadas pelas tecnologias, tornaram-se mais visíveis na atualidade. Representam ambientes intelectuais, culturais, sociais e psicológicos que facilitam e sustentam a aprendizagem, enquanto promovem a interação, a colaboração e o desenvolvimento de um sentimento de pertença dos seus membros.

Neste contexto, se aceitarmos que os ambientes virtuais são ferramentas inovadoras para a criação de comunidades de aprendizagem, é crucial reconhecer a necessidade de uma nova perspectiva na criação de contextos de aprendizagem. Assim, perceber como se pode ensinar e aprender, formal ou informalmente, em espaços abertos e de aprendizagem colaborativa, em redes sociais na internet(RSI), como o Facebook, é um dos grandes desafios que se colocam a todos os educadores.

Como sabemos, atualmente, as redes sociais são parte integrante da vida dos nossos estudantes e entre estas se destaca o Facebook que é uma das redes sociais mais utilizadas em todo o mundo como espaço de partilha, de interação e de discussão de ideias.
O Facebook agrega uma significativa quantidade de recursos, funcionalidades e aplicativos que permitem ações interativas na web, tendo-se tornado, hoje em dia, um espaço inovador no qual se criam e desenvolvem interações, sociabilidades e aprendizagens, estas colaborativas em rede, por meio do diálogo e da construção coletiva de saberes .

O Facebook foi criado em 2004 por Mark Zuckerberg, como rede privada universitária, sendo que no início só podiam criar perfis os alunos das universidades admitidas na rede. Em 2006, com a abertura da rede social a todos os internautas, o Facebook experimentou um período de expansão e, depois de algum tempo de maturação, o seu poder atrativo e catalisador veio a contribuir para que cada vez mais jovens adiram a esta rede social.
Tirando partido desta crescente popularidade junto dos jovens, os professores têm procurado explorar as potencialidades educativas desta rede. No entanto, tem-se revelado um desafio complexo, porque é necessário que os professores dominem os recursos e aplicativos e os utilizem de forma adequada, sem fazer da rede social apenas um repositório de informação digital estático. Não tendo sido criada com objetivos educativos o desafio é, pois, aproveitar esta tecnologia da Web 2.0 para construir novos ambientes de aprendizagem estimulantes. Para isso os professores precisam otimizar a rede, promovendo uma forma de aprender com objetivos bem delineados, metodologias e avaliações bem claras e coerentes com os princípios de uma aprendizagem que se deseja colaborativa e construtivista.

É inegável que o Facebook, na atualidade, se apresenta como um recurso de desenvolvimento profissional docente importante e como um cenário privilegiado para aprender a conviver virtualmente num processo interativo e comunicacional no ciberespaço.
Com efeito, com um perfil e com os recursos básicos disponíveis, é possível construir um espaço de aprendizagem estimulante.

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O mural do Facebook foi sendo aperfeiçoado, influenciado pelos microblogs e, hoje, pode servir como espaço de comunicação e discussão onde se podem alocar uma plêiade de textos, vídeos, imagens ou comentários. Para além do mural dispomos ainda de outros recursos que podem ter aplicabilidade pedagógica como: os Grupos que são espaços online criados com um objetivo/interesse particular, e que podem ser úteis para estudantes e professores trabalharem de forma colaborativa; os Links que possibilitam a criação de ligações a páginas exteriores ao Facebook; os Eventos que podem ser utilizados para lembrar prazos, encontros, seminá- rios; as Mensagens que possibilitam o registo e envio de mensagens (sincronas e assíncronas) aos utilizadores e que servem como um importante canal de comunicação; as Páginas que permitem interações entre os seus membros, possibilitando a partilha de links; as Notas que possibilitam a colocação de pequenas anotações; e os Comentários que permitem ao utilizador dar a sua opinião sobre uma partilha, disponibilização de recursos, ou mesmo de uma opinião ou questão.

Para além destes recursos, esta rede permite, ainda, aos professores, a programação e a criação de aplicativos que ao serem integrados passam a fazer parte da rede social, de forma aberta e acessível, refletindo o espírito da Web 2.0. Entre eles destacamos:
Book Tag: permite criar listas de livros para a leitura num determinado grupo, permitindo ainda criar questionários e reflexões sob a forma de comentários sobre os livros.
Books iRead: permite partilhar livros (que ainda estamos a ler, livros lidos ou que gostaríamos de ler), adicionar tags e comentários de amigos.
Poll: permite a realização de sondagens diversas.
Quizze Creator: permite criar quizzes que poderão funcionar para inquéritos ou testes.
Flickr: permite copiar fotos do Flickr para o Facebook.
FotoFlexer: editor de imagens para o Facebook, através da importação de imagens do Picasa, Flickr e outros.

My Delicious: permite armazenar, organizar, catalogar e partilhar os endereços Web favoritos.
Slideshare e SlideQ: permite a ligação à conta do utilizador no Slideshare – ficheiros PowerPoint e pdf.
Picnik: permite a disponibilização e edição de imagens online.
RSS Feeds: permite concentrar num único espaço as atualizações e notícias de espaços online (blogues e portais).
Google Docs: permite o acesso ao Google Docs através do Facebook.
Favorite Pages: permite adicionar páginas favoritas do Facebook ao perfil.
Formspring.me: permite enviar e receber perguntas anônimas.
Files: permite armazenar e recuperar documentos no Facebook.
Calendar: permite organizar a atividade diária, colocar avisos e partilhar com os amigos.
Study Groups: permite, quando da realização de trabalhos de grupo, colocar em contacto todos os membros do grupo.
Flashcards: permite criar cartões em flash para estudar no Facebook.
To-Do List: permite criar listas de tarefas no Facebook, podendo estas ser partilhadas com outros.
Hoot-me: aplicação gratuita para estudantes para obtenção de ajuda que permite perceber quem está a trabalhar e dessa forma partilhar ideias/opiniões.
Udutu Teach– permite distribuir objetos de aprendizagem criados com a ferramenta Udutu.
Podclass– permite partilhar informações dos mais diversos tipos, sendo semelhante ao ambiente de aprendizagem Moodle.

O Facebook como recurso ou como ambiente virtual de aprendizagem possibilita que o professor reinterprete a forma de ensinar e de aprender num contexto mais interativo e participativo.
É interessante notar que alguns estudos que compararam o uso do Facebook com sistemas de gestão de aprendizagem, como o Moodle, o Blackboard ou o WebCT têm revelado que os estudantes preferem comunicar pelo Facebook .
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Recentemente têm surgido ainda mais estudos, em diferentes países, que têm procurado aprofundar a questão da validade da utilização do Facebook nos processos de ensino-aprendizagem. É exemplo disso o projeto Educare desenvolvido pela Universidade de Buenos Aires (UBA), em parceria com a Fundação Telefônica da Argentina, que teve como objetivo estudar as potencialidades pedagógicas desta rede social. Desta experiência resultou o livro El Proyecto Facebook y la posuniversidad: sistemas ooperativos sociales y entornos abiertos de aprendizage que apresenta relatos de experiências da utilização do Facebook promotoras de uma aprendizagem colaborativa.
Também em Portugal, Patrício e Gonçalves (2010) procuraram analisar o potencial educativo do Facebook e concluíram que a rede fomenta uma participação mais ativa dos estudantes na sua
própria aprendizagem, na partilha de informação e na geração de conhecimento.

As investigações de Menon (2012), Pellizzari (2012) e Alias e outros autores (2013) sublinham estes resultados com graus de envolvimento e participação muito elevados.
Por sua vez, Llorens e Capdeferr (2011) concluem que o Facebook tem um enorme potencial do ponto de vista da aprendizagem colaborativa, porque: favorece a cultura de comunidade que se fundamenta em valores à volta de um objetivo comum e que gera sentimentos de pertença e de aprendizagem social; permite abordagens inovadores de aprendizagem, possibilitando, por um lado, a construção do conhecimento e o desenvolvimento de competências, e por outro, a aprendizagem ao longo da vida e atualização profissional mediante a colaboração entre pares; e permite a apresentação de conteúdos com recursos integrantes da rede social, como vídeos, produtos multimédia, blogues.
Perante estes resultados, ficamos com poucas dúvidas relativamente às potencialidades educativas das redes sociais. Com efeito, estas redes que se desenvolvem no ciberespaço constituem um meio privilegiado para pensar, criar, comunicar e intervir sobre numerosas situações fomentando não só a aprendizagem formal, mas também a aprendizagem informal e não formal. A existência destes espaços não estruturados, afirma-se, pois, como uma oportunidade para a integração das diferentes aprendizagens, concebendo desta forma a educação como um todo. Esta perspectiva deve de futuro, inspirar e orientar as reformas educativas, tanto em nível da elaboração de programas como na definição de novas políticas pedagógicas.

Sendo o Facebook, por excelência um espaço de interação e comunicação, o professor pode aproveitar as muitas horas que os seus estudantes passam conectados, para utilizá-lo como um espaço de partilha de conteúdos multimédia, de vídeos, de músicas, de fragmentos de filmes ou de peças de teatro, relacionados com os temas lecionados. Para, além disso, pode, também, aproveitar esse tempo para promover discussões e debates sobre os assuntos tratados.
Contudo, é importante notar que a rede social Facebook não foi criada para ser utilizada como um ambiente virtual de aprendizagem, embora esta e outras redes estejam a ser utilizadas como tal.
E sendo assim, um dos desafios que se coloca ao professor é perceber como poderá utilizar pedagogicamente esta plataforma, porque é necessário, também, estar consciente de que a sua utilização pressupõe alguns riscos, e por isso há que estabelecer previamente regras e códigos de conduta, tal como em qualquer ambiente de aprendizagem, quer seja presencial, quer seja online.

Estamos, pois, perante tecnologias da Web 2.0 com um imenso potencial pedagógico e perante novos cenários educativos onde predominam espaços de aprendizagem colaborativos e interativos, onde existem autonomia e flexibilidade, assumindo-se o cibernauta como um sujeito ativo que vai construindo o seu próprio conhecimento em ambientes personalizados de aprendizagem.

Efetivamente, podemos afirmar que as redes sociais, nomeadamente o Facebook, permitem, atualmente, equacionar o processo pedagógico de forma diferente. No entanto, a mudança não deve ser vista só do ponto de vista tecnológico, mas, sobretudo em termos de mentalidade e de prática. Esta realidade implica uma alteração cultural, pois obriga a repensar os papéis dos professores e dos estudantes, e a relação existente entre eles, para além das implicações a nível da planificação de cursos e currículos, sistemas de avaliação, formas de ensinar e aprender, metas a atingir. Na verdade, o papel do professor está em mudança e aproxima-se, com o apoio digital, ainda mais, dum e-moderador, ou seja, de um orientador de aprendizagens.

Facebook e educação: publicar, curtir, compartilhar
Organizador(es): Porto, Cristiane; Santos, Edméa Oliveira dos

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Facebook e educação: publicar, curtir, compartilhar
(eISBN:9788578792831)
Organizador(es): Porto, Cristiane; Santos, Edméa Oliveira dos
Editora: EDUEPB
Idioma(s): Português
Ano: 2014
Sinopse: A obra apresenta elementos capazes de instigar a reflexão sobre a mídia social Facebook nos mais diversos contextos e situações, envolvendo os usos que as pessoas fazem dessa mídia; os temas que surgem e como esses se configuram enquanto objeto de estudo num ambiente de diálogo; os potenciais sociotécni­cos e educacionais da rede, enquanto espaços de subjetivação, sociabilidade e diferença; bem como os usos do Facebook no ensino superior e na formação continuada de professores.
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O TDAH para a comunidade escolar

A dificuldade em realizar uma avaliação diferencial entre o TDAH e a indisciplina escolar, além do ensaio terapêutico como instrumento de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade

Os pais, ao procurarem o neurologista, buscam respostas para a causa do problema dos filhos. Eles saem do consultório com o diagnóstico e uma receita que, para aquele momento, pode parecer a solução para a não aprendizagem.
O laudo emitido pelo neurologista serve de justificativa para a dificuldade de aprendizagem e para os comportamentos impróprios. O diagnóstico acalma os pais, os professores e a escola, reduzindo a ansiedade deles e isentando-os de responsabilidades em relação às dificuldades ou aos comportamentos inadequados da criança.
Compreendemos que a avaliação diagnóstica deve envolver pais, professores e demais profissionais, em um trabalho interdisciplinar, buscando compreender o comportamento apresentado pela criança em meio ao seu contexto escolar e social, indo às raízes da queixa produzida.
Mesmo quando questionam sobre o diagnóstico, os pais e as mães não se posicionam junto aos médicos. Por outro lado, as respostas pautadas na esfera orgânica, ao mesmo tempo em que acalma pais e professores, causam insegurança, pelo fato de a Ritalina ser um medicamento controlado.
Anula-se, a autoridade pedagógica que deveria ser assumida pelo professor. A autoridade médica, mesmo sem orientar os pais e professores, ainda tem o poder de dizer que aquela criança tem um transtorno e, por isso, não está aprendendo como deveria.
Se, por um lado, os profissionais da Educação se veem destituídos de sua possibilidade de ação junto às crianças pela hegemonia do discurso das especialidades; por outro, ao assumir e validar os discursos médico-psicológicos, a pedagogia não deixa de fazer a manutenção dessa mesma prática, desresponsabilizando a escola e culpabilizando as crianças e suas famílias por seus fracassos.
Os discursos médico-psicológicos penetram no cotidiano da escola e, ao serem internalizados, passam a fazer parte dos discursos dos professores, dando voz às explicações organicistas e reducionistas do não aprender e, ao mesmo tempo, imobilizando o papel do educador como mediador entre o conhecimento científico e o aluno.
TDAH neuropsicopedaogia
Será que não está havendo uma inversão de papéis no interior da escola? Quem conhece, ou melhor, deveria conhecer o processo ensino aprendizagem é o professor; a ele é conferida a autoridade acadêmica e pedagógica para propor atividades que favoreçam o desenvolvimento da atenção de seus alunos, impedindo, muitas vezes, de encaminhá-los à área da saúde e, provavelmente, a um diagnóstico. Sua formação deveria prepará-lo para ensinar os alunos, reconhecendo suas particularidades, potencialidades e subjetividades, compreendendo-os como sujeitos capazes de aprender, apesar de suas dificuldades.

Esse caráter experimental atribuído à medicação, alterando o medicamento e seu uso de acordo com a variação dos sintomas em um período determinado é identificado como Ensaio Terapêutico, que se caracteriza por uma prática médica, comum e eficaz. A criança chega com a suspeita de TDAH e o médico prescreve o uso do medicamento; se a criança melhorar, a queixa é confirmada, se piorar, é descartada, suspende-se o medicamento e indica-se outro. Para a área médica, medicar é muito mais fácil que mobilizar a família e a escola em busca de informações que auxiliem no diagnóstico.
Mas, é necessário considerar que a resposta positiva ao uso de medicamentos estimulantes não confirmam o diagnóstico de TDAH na criança. Os estimulantes alteram o equilíbrio dos neurotransmissores na zona cerebral, porém essa resposta não deve ser entendida como um diagnóstico. Crianças ditas normais expressaram resultados positivos quanto ao desempenho cognitivo e comportamental, quando submetidas aos estimulantes, entretanto isto não justifica seu uso, sem a realização de um diagnóstico extenso e minucioso. São raras as pesquisas nas quais os pesquisados não apresentam outros quadros.
Os sintomas, quando acompanhados de outras manifestações, tornam ainda mais difícil o diagnóstico.
Ortega et al. (2010) identificaram em pesquisa a relação estabelecida entre a construção do diagnóstico e o medicamento. A correlação entre TDAH e a Ritalina esteve presente nos artigos científicos e nas informações divulgadas pela mídia, foco de sua pesquisa, quando defende que a hipótese do TDAH se dá no momento em que o indivíduo responde positivamente ao tratamento medicamentoso.
Assim, o uso indiscriminado do medicamento vem colaborando, de maneira decisiva, na produção de indivíduos hiperativos e desatentos.
A relação estabelecida entre a eficácia do tratamento e o diagnóstico está contribuindo com a ampliação do diagnóstico e do chamado efeito rebote. Ampliam-se as categorias sintomáticas, levando um número maior de pessoas a se identificarem como tendo o TDAH. Tal realidade produz a demanda pelo tratamento e, consequentemente, pela medicação, aumentando, também, o interesse da população pelo tema.

A continuar nesse caminho, uma parcela cada vez maior da população se enquadrará nas características nosológicas do TDAH descritas no DSM.

Diagnosticar sem compreender o contexto em que a queixa escolar foi produzida e descartar o trabalho multidisciplinar é, de acordo com Eidt , usar o ensaio terapêutico como instrumento de medicalização e tornar patológicas as dificuldades escolares, depositando no aluno a responsabilidade por seu fracasso escolar.
Por causa do grande número de crianças encaminhadas para a avaliação neurológica, muitos pais, mesmo com poucas condições financeiras, procuram os serviços particulares no afã de resolver o problema do filho. As buscas comumente são marcadas pela angústia de uma provável anormalidade e a pressa para que ela seja resolvida.

Nossa sociedade busca soluções rápidas aos comportamentos que anteriormente eram considerados normais, como o desalento, os problemas existenciais e o sofrimento. Predomina um modo de pensar que esses problemas podem ser eliminados com uma pílula quase mágica, seja ela um antidepressivo, um ansiolítico ou um estimulante. A solução para o desalento social e existencial da sociedade capitalista não pode se limitar à manipulação biológica dos sujeitos que a compõem, visto que:
[…] a natureza da sociedade em que vivemos afeta profundamente a nossa biologia e também o nosso comportamento. Numa sociedade mais saudável e socialmente mais justa, embora a dor, a doença e a morte não possam ser eliminadas, as nossas próprias biologias individuais serão, contudo, bem diferentes e mais saudáveis (LEWONTIN; ROSE; KAMIN,).

Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: diagnóstico da prática pedagógica
Author:Bonadio, Rosana Aparecida Albuquerque; Mori, Nerli Nonato Ribeiro

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Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: diagnóstico da prática pedagógica
(eISBN:9788576286578)
Autor(es): Bonadio, Rosana Aparecida Albuquerque; Mori, Nerli Nonato Ribeiro
Editora: EDUEM
Idioma(s): Português
Ano: 2013
Sinopse: Pesquisar sobre os problemas de atenção no contexto escolar lança-nos a um grande desafio: compreender como as crianças e adolescentes estão sendo diagnósticados com Transtorno de Déficit e Atenção e Hiperatividade – TDAH; conhecer os encaminhamentos e as intervenções realizadas por médicos, professores psicólogos, fonoaudiólogos e demais especialistas fora e intramuros da escola.

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Conhecendo a dislexia e a importância da equipe interdisciplinar no processo de diagnóstico

Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem caracterizada por problema na linguagem receptiva e expressiva, oral ou escrita. As dificuldades podem aparecer na leitura e na escrita, soletração e ortografia, fala e compreensão e em matemática. Problemas no processamento visual e auditivo podem aparecer, distinguindo os disléxicos como um grupo que apresenta dificuldade no processamento de linguagem. Isso significa que pessoas disléxicas têm dificuldade em traduzir a linguagem ouvida ou lida para o pensamento, ou o pensamento para a linguagem falada ou escrita. Dislexia não está associada a uma baixa de inteligência. Na verdade, há uma lacuna inesperada entre a habilidade de aprendizagem e o sucesso escolar. As alterações comportamentais e emocionais são consequências do problema, pois a dislexia não é uma doença e sim um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem.
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O diagnóstico nem sempre é realizado corretamente, devido à falta da equipe interdisciplinar, com esta incerteza estes não serão devidamente orientados. Observa-se a falta de informações dos profissionais das áreas de educação e saúde, a não identificação precoce e o devido encaminhamento, que implicam em frustração e evasão escolar. O correto diagnóstico de que a criança é portadora de dislexia provoca aflição tanto na família quanto na escola e nos profissionais de educação, devido às limitações existentes na colaboração familiar e às difíceis adequações escolares. Em relação à criança, observa-se um alívio por definir a causa das suas dificuldades, pois pelo menos ela não ficará exposta ao rótulo de preguiçosa, desatenta e bagunceira.

Classificação da Dislexia

As classificações da dislexia são:

Dislexia Disfonética ou Fonológica: caracterizada por uma dificuldade na leitura oral de palavras pouco familiares, que se encontra na conversão letra-som e é, normalmente, associada a uma disfunção do lóbulo temporal.

Dislexia Diseidética ou Superficial: caracterizada por uma dificuldade na leitura relacionada a um problema visual, cujo processo é deficiente. O leitor lê por um processo extremamente elaborado de análise e síntese fonética. Esse subtipo de dislexia está associado às disfunções do lóbulo occipital.

Dislexia Mista: caracterizada por leitores que apresentam problemas dos dois subtipos: disfonéticos e diseidéticos, os quais estão associados às disfunções dos lóbulos pré-frontal, frontal, occipital e temporal.

Manifestações Encontradas na Dislexia

Desordens no processamento fonológico da informação, decorrentes de disfunções neuro-psicológicas, estão presentes no distúrbio específico de leitura, ocasionando transtornos para execução de atividades intraneurosensoriais (atividades que exigem o uso de um processamento apenas visual ou auditivo, como em atividades de repetição de palavras e cópia), e/ou atividades interneurosensoriais (que exigem o uso de dois ou mais processamentos, como o auditivo-visual, auditivo-visual e tátil, como em atividades de leitura oral ou escrita sob ditado).

As primeiras manifestações das dificuldades encontradas em crianças com dislexia do desenvolvimento aparecem na decodificação fonografêmica, quando a criança precisa entender e utilizar a associação dos sinais gráficos com as sequências fonológicas das palavras no início da alfabetização.

As crianças com distúrbio específico de leitura apresentam dificuldades na habilidade narrativa, que são detectadas, primeiramente, pelos professores em situação de sala de aula, e se manifestam quanto à capacidade de desenvolver a temática textual, manter a coerência em suas narrativas e utilizar as ligações coesivas para estabelecer conexões entre as frases que, geralmente, influenciam a contagem, a recontagem e a compreensão de estórias.

Processamento Fonológico

Para chegar à descoberta do fonema o aprendiz necessita adquirir e desenvolver a consciência fonológica, uma competência metalinguística que possibilita o acesso consciente ao nível fonológico da fala e à manipulação cognitiva das representações neste nível, que é tanto necessária para a aprendizagem da leitura e da escrita como dela consequente.

Para ler eficazmente a criança precisa prestar atenção a todas as letras de uma palavra, a fim de conectá-las aos sons que ouve quando esta é pronunciada, e assim, decodificá-la.

A criança que começa a ler deve desenvolver a consciência fonológica para aprender o início alfabético, ou seja, a correspondência grafema-fonema. A aprendizagem das regras de correspondência grafema-fonema é considerada a habilidade básica para processar os sons das palavras.

O termo consciência fonológica envolve várias unidades linguísticas e se refere a diferentes níveis de processamento. Podemos segmentar as sentenças em palavras ( ex: O – menino – chutou – a – bola), palavras em ataque e rima (ex: pr – ato ou v – ela) ou em sílabas (ex: pra – to ou ga – to), sílabas em fonemas (ex: /v/ – /a/ – /z/ – /o/. Além disso, há também um contínuo de complexidade de processamento, dependendo da tarefa solicitada. São exemplos de tarefas que avaliam essas competências metalinguísticas: segmentação, exclusão e adição, substituição ou inversão de sílabas ou fonemas em uma determinada palavra.

Processamento Visual

A leitura envolve uma tarefa de processamento visual dinâmica que requer a análise e a integração de informações de padrões visuais, por meio de sequências de movimentos oculares sacádicos e de fixação, além de todas as informações que acontecem entre uma fixação e a outra seguinte.

Intervenção e Diagnóstico

A aquisição da leitura e escrita é um código e como tal resultante da interação complexa entre as capacidades biológicas inatas e a estimulação ambiental e evolui de acordo com a progressão do desenvolvimento neuropsicomotor. Deve-se entender que, para o correto desenvolvimento da leitura e da escrita, a criança deve ter um bom desenvolvimento da linguagem oral, pois ambos estão associados.

Observa-se que as crianças com dislexia apresentam alterações no processamento fonológico, falha nas habilidades semânticas, sintática e pragmática. Em relação ao diagnóstico encontrou-se na literatura que este não é dado por um único profissional, e sim por uma equipe interdisciplinar e, consequentemente, o tratamento. As crianças no início da alfabetização, quando começam a apresentar atraso na aquisição da leitura e da escrita, muitas são rotuladas como desatentas e preguiçosas, mas é preciso que a escola e a família saibam intervir adequadamente e precocemente para que isto não gere na criança frustração e abandono escolar.

Quando a dislexia é diagnóstica e tratada precocemente, os impactos emocionais e comportamentais são evitados e a criança consegue suprir suas dificuldades e prosseguir no processo de alfabetização.

No diagnóstico devem-se utilizar procedimentos que possibilitem determinar o nível funcional da leitura, seu potencial e capacidade, a extensão da deficiência, as deficiências específicas na capacidade de leitura, a disfunção neuropsicológica, os fatores associados e as estratégias de desenvolvimento e recuperação para a melhoria do processamento neuropsicológico e para a integração das capacidades perceptivo-linguísticas. O fonoaudiólogo deve conhecer as dificuldades apresentadas pela criança no processo diagnóstico, com o objetivo de orientar-se e aos professores para o tratamento adequado, visando ao desenvolvimento de estratégias que possibilitem a melhora no uso das habilidades e funções da linguagem e no desempenho dessa criança nas tarefas escolares que exigem leitura e escrita. A partir do reconhecimento do problema, o diagnóstico fonoaudiológico deve ser realizado basicamente pela análise da linguagem nos níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico.

No tratamento fonoaudiológico é importante conhecer a criança, seus interesses, suas vivências, suas dificuldades, seus erros e acertos. É necessário adaptar métodos e técnicas à individualidade de cada caso, respeitando-se a personalidade do paciente e tratando-o como um todo, dentro do contexto social e familiar.

Uma intervenção bem sucedida depende de uma avaliação criteriosa e multidisciplinar ou interdisciplinar (neurologia, otorrinolaringologia, fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia ou psicopedagogia clínica, neuropsicopedagógia ou neuropsicopedagógica clínica).

Considera-se de suma importância conhecer a dislexia, suas manifestações e o correto tratamento e intervenção, que são realizados pela equipe interdisciplinar, da qual faz parte o fonoaudiólogo, pelo seu conhecimento na área de linguagem oral, leitura/escrita. Existe a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto e, principalmente, que os profissionais, tanto da educação quanto da área da saúde, entendam que o processo diagnóstico e intervenção é realizado por uma equipe interdisciplinar.

Para que a criança disléxica seja atendida precocemente e que os impactos emocionais e comportamentais sejam evitados é de competência de todos conhecer os distúrbios de leitura e da escrita, lembrando-se sempre que a criança em questão, no momento, é um ser único e como tal deverá ser tratada.

Considera-se de suma importância conhecer a dislexia, suas manifestações e o correto tratamento e intervenção, que são realizados pela equipe interdisciplinar, da qual faz parte o fonoaudiólogo, pelo seu conhecimento na área de linguagem oral, leitura/escrita. Existe a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto e, principalmente, que os profissionais, tanto da educação quanto da área da saúde, entendam que o processo diagnóstico e intervenção é realizado por uma equipe interdisciplinar.

Para que a criança disléxica seja atendida precocemente e que os impactos emocionais e comportamentais sejam evitados é de competência de todos conhecer os distúrbios de leitura e da escrita, lembrando-se sempre que a criança em questão, no momento, é um ser único e como tal deverá ser tratada.

Artigo e pesquisa feita pela fonoaudióloga Sther Soares Lopes da Silva
Fonte:Scielo

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Estimulação do desenvolvimento de competências funcionais hemisféricas em escolares com dificuldades de atenção: uma perspectiva neuropsicopedagógica

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento pleno das potencialidades de todas as crianças.
O cérebro passa por inúmeros processos de amadurecimento que repercutirão por toda a vida.
Sabe-se que o cérebro infantil, apresenta algumas peculiaridades em relação ao do adulto, dentre elas sua maior capacidade de regeneração e uma maior capacidade de adaptação. É como se o sistema nervoso infantil fosse uma pedra bruta que aceita qualquer tipo de lapidação. Quanto mais delicada for essa lapidação, melhor o desenvolvimento de suas capacidades. A esse processo de regeneração e desenvolvimento cerebral, dá-se o nome de plasticidade cerebral.
A plasticidade cerebral fundamenta e justifica a estimulação plena das crianças precocemente, visto que nessa idade a resposta é maior que nos outros períodos da vida.
Neuropsicopedagogia
Estimulação do desenvolvimento de competências funcionais hemisféricas em escolares com dificuldades de atenção: uma perspectiva neuropsicopedagógica
Fabrício Bruno Cardoso e Rosângela Rabello Carneiro
A criança, uma vez ingressada no ciclo inicial, terá um caminho contínuo de desequilíbrios, equilíbrios e desequilíbrios a percorrer. Desta forma, por meio de um acompanhamento neuropsicopedagógico sistematizado, intercalado pelas avaliações, procurou-se identificar, as dificuldades de diferentes naturezas, considerando-se como referência as dificuldades biofísicas, provavelmente consequentes a preferências de funcionamento hemisférico, em escolares com dificuldades de atenção.

Embora se considere um conjunto de fatores, como a motivação e auto-estima do aluno e o envolvimento dos pais, será a diversidade do ensino, ministrado pelo professor, que fará a diferença, considerando-se o estilo cognitivo dos alunos. O estado da mente suporta ambos os tipos de processamento, mental, sequencial/analítico (hemisfério esquerdo), como também espacial/conceitual (hemisfério direito). Em outras palavras, “aprendizagem do cérebro por inteiro”. Na maioria das pessoas, na região frontal, no lobo direito, ocorrem os comandos para lidar com as situações novas de aprendizagem; o hemisfério esquerdo trabalha com as situações cotidianas, embora haja um ciclo contínuo de informações que partem do hemisfério direito para o hemisfério esquerdo. Ao entrar na escola a criança já é um sujeito que efetivou inúmeras aquisições no que se refere ao conhecimento. O aluno é alguém que já apresenta um estilo cognitivo na aquisição destes conhecimentos, que resultam de suas experiências cotidianas. Na prática, as diversas abordagens do ensino defrontam-se com estilos cognitivos diversos utilizados pelos escolares, colocando a questão da (in)coerência entre diferentes abordagens e os seus efeitos na alfabetização; a cada ano do ciclo. Os escolares que adotam o processo simultâneo em detrimento do sequencial (hemisfério direito) podem apresentar dificuldades para segmentar as palavras em sílabas e decodificá-las, seguir sequências, orientações, encontrar sequências dos acontecimentos em um relato. Os escolares que adotam o processo sequencial sem utilizar o processo simultâneo (HE), podem apresentar dificuldades para reconhecer globalmente uma palavra, fazer ligações lógicas considerando o contexto, extrair a ideia principal de um texto e fazer um resumo. Estas dificuldades pontuam à falta de correspondência entre a abordagem utilizada pelo professor no ensino (sequencial ou simultâneo) e o modo pelo quais os escolares tratam as informações (estilo cognitivo de funcionamento cerebral: preferência hemisférica), podendo gerar dificuldade.

As reflexões sobre as diferenças de desempenho na alfabetização, à luz da preferência hemisférica, dos diversos enfoques dados à alfabetização, sugerem indagações sobre a interferência da abordagem predominante no ensino e a produção das diferenças dos desempenhos dos escolares.

Verificou-se que a utilização diferenciada de “estilo cognitivo” de escolares poderá levar a preferências pessoais, e provavelmente a necessidades diferenciadas no processo de alfabetização e, consequentemente, uma intervenção com abordagens diferenciadas, na busca de amenizar e/ou solucionar alguns problemas de aprendizagem. Pode-se dizer que, no caso específico deste estudo, a dificuldade de atenção (abordagem geral) queixa principal do professor, provavelmente é uma dificuldade, temporária, consequente da falta de correspondência entre a abordagem pedagógica, no processo de ensino no período de alfabetização, utilizada pelo professor (processo sequencial) e o modo pelo qual os alunos recebiam e tratavam as informações (estilo cognitivo). O grupo dos alunos com dificuldade de atenção, em que predominava o funcionamento do hemisfério esquerdo conseguiu ultrapassar as dificuldades iniciais, entretanto os hemisfério direito observou-se a continuação das dificuldades no processo de alfabetização, mesmo após a intervenção neuropsicopedagógica, necessitando provavelmente de maior tempo de estimulação com atividades voltadas para o desenvolvimento das funções atencionais do hemisfério esquerdo. Desta forma, em uma perspectiva neuropsicopedagógica (abordagem específica), pode-se dizer que a dificuldade de atenção dos escolares são desordens de natureza orgânica, neurológica, funcional, temporária, que interferem na recepção do estímulo caracterizando-se por uma discrepância entre o potencial funcional do aluno (preferência hemisférica) e a estratégia pedagógica do professor (sequencial ou simultâneo) para a alfabetização.

Considerando-se a questão da hemisfericidade, como fator relevante no processo de aprendizagem, propõe-se que programas educacionais com intervenções neuropsicopedagógicas sejam direcionados ao atendimento de todos os alunos, isto é, os alunos com predominância de funcionamento tanto para o hemisférico direito quanto esquerdo, independente da sua modalidade de aprender. E que outros estudos sejam realizados no campo da educação, pois se considera esta proposta de intervenção, precursora, necessitando de mais estudos correlacionando as preferências hemisféricas e os processos atencionais interferindo na aprendizagem, inclusive a preferência hemisférica da professora, isto é, sua modalidade de ensinar.

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